Presente entediante.
fevereiro 26, 2019
Desalentados.
abril 26, 2019

O substituto.

Foram doze anos de casamento ininterrupto. Aquele casamento idealizado, perfeitinho, onde tudo funciona. Algumas palavras que facilmente se aplicam a este enlace: respeito, parceria, igualdade, equilíbrio, reciprocidade (essa não podia faltar), amor incondicional, filhos (2), amor incondicional à família, ‘deixa que eu faço’, felicidade, grandes momentos de alegria, amor, sexo semanal, lealdade, carinho, confiabilidade, ‘você primeiro’, marido ideal, mulher ideal, fé em deus, amigos comuns bacanas, cafuné, massagem nas pernas. Esta lista não tem fim.

Mas no inicio do décimo terceiro ano de casamento ele a chamou para uma conversinha. Seria a primeira ‘Discussão de Relação’ ou mais conhecida como DR. Ele falou: ‘Não quero mais ficar casado com você’ ; assim na lata ela recebeu esta noticia que abalava todas as estruturas possíveis do ‘lar’ imaginado lá no inicio de tudo. Nem existiu tempo para mais nada. ‘Meu mundo caiu’ é o nome de uma música antiga, mas servia como uma luva para a situação. Clichês se sucederam: choro, gritos, urros, lágrimas formavam rios, ruídos, arranhões em si própria, angustia enorme invadia seu aparelho digestivo empurrando o coração pra cima. Mas de nada adiantaram a decisão estava tomada.

O dia seguinte e os subsequentes foram de luto extremo, mundo sem cores, tentando ao mesmo tempo levar a vida e apagar de seus olhos o filme amargo que não queria terminar. Sempre dizem que as mulheres são mais fortes, tem mais fibra e reagem mais rápido aos dissabores; mas como esta nunca se tinha visto e a lona era o seu refugio diário com o juiz contando e reiniciando a contagem centenas de vezes. O nocaute foi forte, duro e pleno.

Mas o tempo (sim, sempre o tempo) foi passando, as cores foram retornando, voltou a frequentar a Igreja aos domingos e conseguiu ganhar um quilo na academia, já tinha esquecido o cheiro da lona, mas o tiro fora certeiro e o estrago ainda era visível; os olhos afundados e sem destino faziam-na uma ‘ghost’ ambulante.

Dez anos se passaram e decidiu que queria, não se casar de novo, mas encontrar alguém já que se sentia muito sozinha com a saída dos filhos de casa e tinha aversão a terapia, analise e congêneres . Chamava este futuro alguém de substituto, não conseguira entender ainda o que tinha acontecido, vivia num mundo paralelo e não percebia que ninguém substitui ninguém nesses casos. As peças são diferentes, o momento é outro. Tentar escanear o ex marido e conseguir outro igual é tarefa impossível. Foi educada e criada assim.

A procura foi inglória. 

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