Amor em quarentena.
março 26, 2020

É de rachar…o coração.

O choro lancinante e doído substituiu os latidos normais que um cachorro emite no seu dia a dia.

Não costumava observar porque eu saía diariamente de manhã e voltava a noite. Mas agora em tempos de isolamento social minha quarentena já alcançou 45 dias e pude observar mais o entorno e principalmente ouvir mais. Não posso deixar de notar que o pet sofre bastante ao longo do dia. Os gritos agudos de sofrimento cada vez ficam mais elevados.

Ele fica preso com coleira e corrente o dia inteiro, ninguém habita o imóvel. O cuidador (???) vem troca água, ração e limpa, não fica mais do que cinco minutos e some rapidamente. Os donos que moram longe raramente aparecem e quando aparecem mal lhe dão atenção mantendo-o preso. Não se trata de solitário ou solitude, é pura solidão.

No silêncio da noite os urros, grunhidos e uivos parecem mais altos e contundentes.

As varandas são frontais, não tem como não perceber seu sofrimento. A vontade que tenho é de entrar lá e solta-lo da corrente, entendo que o seu exílio e desamparo é muito mais do que isso, mas pelo menos poderia circular entre as plantas e ter um pouco mais de liberdade.

Se foi colocado lá para tomar conta da residência ou como um ‘alarme’ de nada adianta, pois vai latir se entrar algum intruso e não vai aparecer ninguém. Só faria sentido se estivesse livre em seu cativeiro.

O meu sentimento de pena, compaixão e humanidade, se tornou um grito de denúncia.

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