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Depois daquele beijo.

Sempre soubemos que as traduções dos títulos dos filmes no Brasil nunca tiveram nenhuma relação com o título original. Não sei onde nossos distribuidores escolhem traduções bizarras ou completamente fora de contexto. Nem sei também ao certo qual seria o objetivo. Vender mais assentos no cinema? Ser mais chamativo? Quem compra os direitos do filme para exibir no seu país recebe o material do filme e até instruções como por exemplo o sentido de certas falas ou o que o diretor quer manifestar em determinada cena.

Em 1966 o cineasta italiano Michelangelo Antonioni lançava o filme Blow-Up (*) que aqui ganhou a singela tradução de Depois Daquele Beijo.

Trazendo para nossa realidade resolvi aproveitar o título da nossa tradução e poder discorrer um pouco sobre o beijo, digo, beijo na boca bem dado, demorado, em slow motion mas que pode a qualquer momento acelerar como um Fórmula 1.

Falamos e fazemos diariamente as mesmas coisas e não nos damos conta que essa repetição rotineira acaba completamente com o sentido do propósito, inclusive beijar quando é feito de forma automática e obrigatória perde o sentido.

Mas depois daquele beijo reaprendi e voltei a entender e subtender para onde o beijo me levava e me transformava. Como se estivesse num estado de hibernação errática, despertei para um estado de vulcão na ativa. E quando consegui  destravar o beijo, fui destravando outros sentidos como o abraço, as preliminares e o sexo intenso e interessante. Um beijo pode te transformar, a pessoa que te beija também te e se transforma, mas internamente sou eu que promovo a mudança e viro a chave.

Não tem igual sair de um estado de latência para um local de iluminação farta. Redescobrir o beijo não tem nada idêntico, não tem preço. Quando for beijar agora concentre-se e beije com intensidade, deixe tudo de lado, você saberá que o beijo é bom quando der o clique interno e a ‘viagem’ começar.

(*) A tradução de Blow-Up para o português é ‘explodir’. Mas pode ser usado como um ’ampliação numa foto já revelada’ e este era o sentido que Antonioni quis dar.

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