Amor improvável.(Na verdade)

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Amor improvável.(Na verdade)

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Na verdade, (esse era a expressão que ela mais usava; tudo sempre vinha acompanhado do ‘Na verdade’ na frente, como se todo resto fosse mentira, querendo sinalizar que a frase atual era a verdadeira) esse era/foi um dos romances mais improváveis que já presenciei.

 

Na verdade, eram dois pólos extremos sem a menor identidade, ou pontos de interesse, e não sei como avançou em meio a tantos percalços e distanciamentos. Coisas que só o destino pode selar.

 

Na verdade, os interesses divergiam, as prioridades divergiam e tinham tudo para não dar certo. Mas vamos aos fatos concretos.

 

Na verdade, ela só queria ir a restaurantes caros (mas às vezes não tão bons, nem sempre o caro é o melhor) com homens ricos, mas pobres de alma e passivos contumazes. Já ele, sentia um prazer imenso em restaurantes e bares não tão badalados, mas com uma comida de primeira e honesta; locais em que ela hesitava em colocar os pés.

 

Na verdade, como estamos vendo, não é só uma questão econômica, é uma questão de opção e de comer bem e ser bem atendido. Ela sempre foi acostumada a lugares caros e exclusivos, mas odiava estes lugares, nunca conseguiu tomar um norte e decidir a frequentar os locais que realmente importavam. Ele era um cara simples, mas muito culto e festejado por todos. Isso a incomodava, mas ela sabia que era assim desde que o conheceu, e escolheu este caminho, ‘Você é livre para escolher seus caminhos, mas é responsável pelas consequências’ – Pablo Neruda.

 

Na verdade, desde o primeiro dia, ela deve tê-lo aceitado com ressalvas, pois a cada momento tentava mudá-lo, mudar hábitos, costumes e roupas, mudar condutas, mudar tudo… Ora bolas, se o conheceu assim, por que e para que mudá-lo? A partir de um determinado ponto ninguém muda mais. Queria também que ele enriquecesse a qualquer custo. Fracassou nos dois intentos.

 

Na verdade, havia tantas mentiras, mas vou parar por aqui. Na verdade, ele teve sua parcela de culpa porque também a escolheu, porque naquele momento inicial, lá atrás, optou por ela. Grande Neruda… Agora Inês é morta.

 

Na verdade foi tudo uma grande mentira…

 

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